Dólar inicia em alta devido a decisões de bancos centrais e incertezas globais

O dólar à vista apresentava uma elevação em relação ao real nas primeiras transações desta sexta-feira (21), porém se encaminhava para a terceira queda semanal consecutiva, à medida que os investidores ajustavam suas posições ao final de uma semana marcada por decisões e movimentações de bancos centrais e incertezas no cenário geopolítico.
Às 9h04, o dólar à vista estava em alta de 0,49%, cotado a R$ 5,7076 na venda. Ao longo da semana, a moeda acumula uma desvalorização de 1,04%.
No dia anterior, quinta-feira (20), o dólar à vista fechou com um aumento de 0,49%, sendo cotado a R$ 5,6763.
Na esfera internacional, o grande destaque da semana foi a reunião do Federal Reserve, que decidiu manter a taxa de juros inalterada na quarta-feira e reafirmou sua expectativa — segundo a mediana das previsões de seus membros — de realizar cortes nas taxas mais duas vezes até o final do ano.
Em coletiva após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, reiterou que a instituição não possui “pressa” em reduzir os juros, mesmo após reconhecer que o crescimento da economia americana em 2025 pode ser inferior ao esperado.
Essas declarações fortaleceram a moeda americana globalmente, fazendo com que o dólar recuperasse parte das perdas recentes em comparação com outras moedas de países desenvolvidos e emergentes. Na quinta-feira, a moeda norte-americana encerrou em alta de 0,49% no Brasil, com cotação de R$ 5,6763.
No dia anterior, o dólar havia terminado em R$ 5,6486, o menor valor desde 14 de outubro de 2024, quando foi encerrado a R$ 5,5827.
No início da semana, o otimismo dos investidores influenciou as negociações nos mercados globais, com expectativas positivas sobre a possibilidade de um fim para o conflito na Ucrânia, após um telefonema na terça-feira entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Na conversa, os líderes chegaram a um acordo para um cessar-fogo de 30 dias nos ataques russos às infraestruturas energéticas da Ucrânia.
Os mercados também viram com bons olhos os planos da Alemanha de aumentar seus gastos com defesa, uma vez que a câmara alta do Parlamento do país finalizou a aprovação de um pacote histórico, permitindo uma flexibilização das regras de endividamento e a criação de um fundo de 500 bilhões de euros para investimentos.
Para a próxima semana, a atenção dos investidores deverá se voltar novamente às ameaças tarifárias de Trump, já que se aproxima o dia 2 de abril, quando ele prometeu anunciar uma série de tarifas recíprocas — taxas em resposta a barreiras impostas por outros países contra produtos norte-americanos.
“Ainda esperamos que o dólar termine a semana com mais uma queda, principalmente em função de todas as variáveis externas, especialmente as incertezas nos EUA relacionadas às políticas tarifárias”, comentou um especialista do setor.
Nesta sexta-feira, o índice do dólar — que avalia o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis outras moedas — mostrava um aumento de 0,12%, alcançando 103,910.
Contexto no Brasil
No cenário interno, a semana foi marcada pela decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que elevou a taxa Selic em 1 ponto percentual, atingindo 14,25% ao ano, sinalizando um aumento de menor magnitude na próxima reunião, em maio.
Essa decisão ampliou o diferencial de juros entre Brasil e EUA, o que pode beneficiar o real ao atrair mais capital de investidores internacionais.
O governo federal, por sua vez, encaminhou esta semana ao Congresso um projeto de lei que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$5.000, gerando preocupações fiscais no mercado caso não haja compensações adequadas.
“Ainda percebemos um cenário em que o governo afirma seu compromisso com as metas fiscais, enquanto o mercado permanece cético quanto a essa possibilidade. Esse aumento na percepção de riscos fiscais tende a pressionar a taxa de câmbio para cima”, afirma um analista de mercado.
No acumulado do ano, o dólar apresentou uma desvalorização de 7,65% em relação ao real.